Eis que o dia surgiu.
Do meu quarto, eu via o sol invadir a rua.
Senti o calor em minha face transformando aquela palidez matinal num tímido tom rubro.
Deixei que o sol também me invadisse, mas me obriguei a pisar no chão e encarar o MEU dia.
Mais um dia de concreto e fumaça.
Em um dia diferente deste, ficara combinado que eu jamais me deixaria tão indefesa quanto aos meus pensamentos. E assim nasceu o pacto mais incerto que eu já fizera na vida.
Eu, eu mesma, sempre duvidei de mim - ainda não fizemos nenhum progresso neste aspecto.
Mas estava feito.
Estava certo.
Filas e mais filas de carros congestionavam as vias de mão única.
Eu não esperava lutar contra mim mesma. Não naquele dia. Não depois de ter certeza da minha vontade de não ir a esse campo de batalha.
Não tive escolha.
O sinal fechou.
Meus olhos sempre foram os responsáveis pela minha culpa.
Dessa vez, eles reagiram tardiamente.
Mas outros foram rápidos.
E não tive tempo...
Cá estou, no mesmo lugar, contra mim mesma.
Mais um dia de concreto e fumaça.
Verbalize.
Da gramática:
- Verbo QUERER.
Quem quer, quer algo.
O que quer? Como quer? = informações adicionais.
Transitivo direto.
De Bulhões:
-Verbo QUERER.
Quem quer, quer pontofinal
O que quer? Como quer? = problema do terceiro grau.
Verbo indeciso.
- Verbo QUERER.
Quem quer, quer algo.
O que quer? Como quer? = informações adicionais.
Transitivo direto.
De Bulhões:
-Verbo QUERER.
Quem quer, quer pontofinal
O que quer? Como quer? = problema do terceiro grau.
Verbo indeciso.
Ai...ai...
Hoje, dois olhinhos se perderam. Perderam-se do habitual e oscilaram.
Eles percorreram meu corpo, despretensiosamente, assim concluí.
Lamento, apenas, aqueles olhinhos não terem encontrado os meus.
Um dia desses, roubo eles pra mim.
E ai de quem hoje os tem.
Eles percorreram meu corpo, despretensiosamente, assim concluí.
Lamento, apenas, aqueles olhinhos não terem encontrado os meus.
Um dia desses, roubo eles pra mim.
E ai de quem hoje os tem.
Demonstração pública de afeto.
"Que saudade de você, mon amoour!
Eu lembro de você toujours.
Oui, oui, dói aussi.
És em mim, pequeno souvenir."
(20/03/10)
Eu lembro de você toujours.
Oui, oui, dói aussi.
És em mim, pequeno souvenir."
(20/03/10)
Imperativo.
Olhe pra mim e perceba o quanto eu quero provar que um e um somos nós. Olhe novamente e sinta meu desejo de quebrar o teorema e transformar a igualdade em singular.
Se meus passos continuarem lentos demais, perdoe. Eu insisto em permanecer em teu caminho apenas por me recusar a sair dele. E recusarei tanto quanto me recusas.
Enjoe de palavras melosas assim como eu já enjoei das minhas.
Da conspiração láctea, exija precisão. Os astros erraram, mais uma vez, o seu destino e eu tenho andado distraidamente cansada. Seja como for, peça pra ser.
Olhe pra mim.
Uma vez, duas, três...
Olhe pra mim.
Vire os olhos e revire-os.
Olhe pra mim.
Eu sei, olhe bem, um e um será sempre um.
Pra cada lado.
Se meus passos continuarem lentos demais, perdoe. Eu insisto em permanecer em teu caminho apenas por me recusar a sair dele. E recusarei tanto quanto me recusas.
Enjoe de palavras melosas assim como eu já enjoei das minhas.
Da conspiração láctea, exija precisão. Os astros erraram, mais uma vez, o seu destino e eu tenho andado distraidamente cansada. Seja como for, peça pra ser.
Olhe pra mim.
Uma vez, duas, três...
Olhe pra mim.
Vire os olhos e revire-os.
Olhe pra mim.
Eu sei, olhe bem, um e um será sempre um.
Pra cada lado.
Passatempo.
Estamos jogando "sufoque".
Quem sufocar com algo que quer dizer - mas não diz-, PRIMEIRO, vence!
Atenção: o felizardo ganhador tem sua garganta cortada para a verificação dos jurados (todo procedimento está dentro do regulamento e é garantido pelo SQS, sistema de qualidade sufoque, além de não causar nenhum dano ao sortudo, haja vista que ele está morto).
A cerimônia de premiação acontece segundos após a confirmação do júri.
Todos os perdedores estão automaticamente convidados.
A próxima rodada começará em dois minutos. Há resistência dos participantes quanto ao item "cortar a garganta" e tal...
Quem sufocar com algo que quer dizer - mas não diz-, PRIMEIRO, vence!
Atenção: o felizardo ganhador tem sua garganta cortada para a verificação dos jurados (todo procedimento está dentro do regulamento e é garantido pelo SQS, sistema de qualidade sufoque, além de não causar nenhum dano ao sortudo, haja vista que ele está morto).
A cerimônia de premiação acontece segundos após a confirmação do júri.
Todos os perdedores estão automaticamente convidados.
A próxima rodada começará em dois minutos. Há resistência dos participantes quanto ao item "cortar a garganta" e tal...
Eu já levei choque.
Muita gente já levou choque.
Basta ter sido criança uma vez pra conhecer a sensação. Ou não. Adultos também levam choque.
Eu sei. Todo mundo sabe.
Nunca gostei de levar choque. Qual a graça?
Eu sabia que não gostava de levar choque nas tomadas e lâmpadas e chuveiros e computadores...
Mas eu não sabia que iria querer levar um.
E foi assim.
Quando eu sentia o arrepio percorrendo meu corpo, fechava os olhos e os apertava...
"Um, dois, três, qua-tro, ciiiiiiiiiiiinco, 678910."
Eu cedia.
"-Vai, pensamento! Vai atrás dele! Revira-te e sossega. Vai..."
Faz muito tempo.
Era tarde e eu olhava a janela.
A rouquidão invadiu meus ouvidos.
Eu fazia careta.
A eletricidade me tomou.
Não lembrava mais como era...
Despedacei.
Enquanto durmo.
Com os olhos fechados...
Meu corpo treme.
O sono não chega.
O vento geme.
O frio me aborda.
Espreito a janela, encosto a porta.
Eu sei que ela vem.
E espero.
Me viro do avesso pra te esconder.
A chuva ameaça.
O tempo não passa.
?
!
A vontade me invade.
Tardiamente, ele volta.
Passo a chave na porta e a noite amanhece.
Nada acontece.
A chuva, enfim, cai.
Amanhã, você não vem.
Aperto meus olhos, vasculho a minha mente.
Aperto o gatilho.
Escolho outro alguém.
Você não sai.
Derrotada, desisto.
Então, me levo embora, enquanto a chuva cai.
A rua chora.
Abro os meus olhos...
Você não sai.
Meu corpo treme.
O sono não chega.
O vento geme.
O frio me aborda.
Espreito a janela, encosto a porta.
Eu sei que ela vem.
E espero.
Me viro do avesso pra te esconder.
A chuva ameaça.
O tempo não passa.
?
!
A vontade me invade.
Tardiamente, ele volta.
Passo a chave na porta e a noite amanhece.
Nada acontece.
A chuva, enfim, cai.
Amanhã, você não vem.
Aperto meus olhos, vasculho a minha mente.
Aperto o gatilho.
Escolho outro alguém.
Você não sai.
Derrotada, desisto.
Então, me levo embora, enquanto a chuva cai.
A rua chora.
Abro os meus olhos...
Você não sai.
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