Sábado, 23 de outubro de 2010.

Prefiro o acaso que,
por acaso,
despertou sem querer.

Uma vez por vez (Capítulo três).

Carta ao leitor.
Caro - e inacreditável- leitor, declaro encerrado o capítulo das verdades, posto que não me sinto mais inclinada a dizê-las.

Uma vez por vez (Capítulo dois).

Das verdades.
Acredito acumular algumas tantas, mas hoje tenho vontade de gritar certas umas...
(Querido - e paciente- leitor, não deposite muita fé nesse capítulo, pois se eu realmente quisesse dizer algo verdadeiro já teria o dito)
Das não ditas.
Guardo-as mais que todas as outras. Tenho cá algumas... ameaçando saltar boca-a-fora, mas, por hora, estou alerta. Não falarei daquelas que pouparam aos outros o sofrimento. Tenho sede, apenas, das que ainda causam o meu. Veja bem, não entenda assim que sou triste. Eu sou atriz e, sendo como sou, sou o que quero parecer ser e o que sou e o que quero e o que pareço.
Uma:  naquele dia em que deixei você, nem lembro como, só sei... acho que não queria mesmo lhe deixar, mas você me deixou ir tão depressa... Não ouvi mais meu nome, não vi mais o seu. Passei pelas ruas lhe procurando e, acho, você sofria pelos cantos. Não me procurou. Não me procurou. Não me procurou! Como pôde me deixar ir? Eu sei. Nas minhas atribuições, pode incluir EGOÍSTA. Queria ter-te.
Pensando bem, egoísta foi você. Sofreu calado. Sofreu calado! Como pôde? Aceitou tão plenamente a momentânea solidão que parece até imbecil escrever-te. Escrever-te... Ainda lembro do gosto. Se eu quisesse esquecer do gosto...
Pode avisar a quem interessar... você me deixou. Você deixou que eu fosse e essa culpa é sua.
(Querido - e persistente - leitor, não deposite pouca fé nesse capítulo, pois se eu realmente o escrevi devo tê-lo escrito para alguém)

[Incompleto]

Uma vez por vez (Capítulo um).

Dos amores somam quatro. Não sei como isso se deu, mas foram sucessivos e, por isso, agradeço.
A vez primeira fez-se saudade, fez-se vontade, fez-se arrependimento, fez-se, faz... A segunda vez fez-se poeira. Na terceira, fez-se borrão. Na última, fez-se por quê? Não sei. Passo.
Dos amigos... totalizei uns bocados. Lembro do primeiro. Nome no aumentativo. Estava sempre presente, mas nem todos o viam. Minha mãe quase sentou nele uma vez, mas o salvei a tempo. Não lembro se ele voltou. Não lembro mais dele. Lembro dos que lembro. E esqueço dos que me esquecem. E esqueço dos que quero esquecer. Hoje, tenho alguns bons camaradas.
Da(s) cicatriz(es), exponho uma em meu rosto. A única grande o suficiente pr'eu lembrar. Ela se esconde sob o queixo e nem a percebo com frequência. Resultado de uma infância preocupada com os horários dos desenhos animados (fiquei tão animada pra ver o Chaves naquele dia que, então, corri... trágica corrida). Bom, em meu corpo - aparentemente - não vejo outra significativa.
Das composições: vez ou outra me espanto quando lembro de algumas... Basta o vento uivar na janela num dia bonito, ou feio...
Das BOAS composições eu sei. Outras pessoas sabem. Outras ainda irão saber.
Sei de uma vez por vez. Sei de todas as vezes. Das boas vezes, eu sei...

"Podem avisar, pode avisar...

... invente uma doença que me deixe em casa pra sonhar." De YUKA, Marcelo.

Pra quem já amou...

Eu sinto saudade. Não havia outro jeito de lhe dizer isso.
Temo que minhas palavras lhe causem desconforto, mas torço pra que você apenas aceite o que lhe oferto: saudade.

Embolia.

Ontem, desejei que o sangue dele invadisse o meu corpo,
só pra percorrer minhas veias,
só pra residir em mim,
só pra atravessar minhas avenidas cheias,
só por me invadir.

"Catarse"

Nunca imaginei esse dia. Pensei que ele viria como pesadelos, logo estaria acordada e era só lembrar da realidade. Não seria assim.
Isso - seja lá o que eu queira dizer com "isso", seja lá o que "isso" for - contraria a lógica universal.
Se eu pudesse me descrever, sendo cada vez mais egoísta - como devo ser pra você - lhe diria que o meu sorriso foi tão aberto quanto o meu coração. O fel das minhas palavras soou como o aço que revestia meus sentimentos. Diria-lhe que não sei se fui.
Fui mais do que deveria, acho. Fui menos do que pude, sei.
Meu erro foi acreditar ser menos, meu erro foi acreditar ser mais. Meu  erro foi não acreditar, meu erro foi acreditar.
Tanto pensei e repensei no que lhe fiz que nem sei em que pensei.
Via a minha história com a sua comungar...
Hoje, lhe garanto que minhas palavras só cortam a minha garganta, meu sorriso está trancado e meus sentimentos, certamente, ocupam o barraco de zinco que é o meu coração. Nesse barraco, vou deixar escondidas aquelas gargalhadas, aquelas conversas fora de hora, aquelas horas jogadas fora, aquelas vontades... Vou esconder você como tudo que você me escondeu, mas eu vou conseguir.
Sê feliz.

Dá-me asas...

Se  eu tivesse duas asinhas, eu abriria a janela e voaria pra bemmm longe. Veria o céu tão de perto que meus olhos ficariam eternamente com o brilho das estrelas. Sentiria o cheiro da rua como quem aspira por liberdade.
Se eu tivesse duas asinhas, eu deixaria essa chuva me molhar com todas as intensidades que ela pudesse me oferecer. Ouviria o som do vento e cantaria com ele em si maior.
Se eu tivesse duas asinhas, tão longe, mas tããão longe eu estaria.

Boa noite.

É tarde.
A selva de concreto vai se iluminando.
Agora, há mais uma certeza: a noite vai chegar.
Os raios do sol já perderam força... Eles não invadem mais a janela...
A sala foi ficando fria.
Lá longe, vê-se uma lâmpada sendo acesa. Uma mais...
O céu é uma mistura de rosa e azul.
Dá vontade de lembrar das outras tardes...
Dos outros céus coloridos.
Bem devagarzinho, vai anoitecendo...
Não há mais o rosa no céu.
Agora, da janela, é como ver centenas daquelas luzes de natal.
...
Anoiteceu.
E eu fiquei, aqui, esse tempo todo... Só pra ver estrelas.