Sem remendo.

Ao ouvir tudo aquilo, despedacei.
Como quem parte ao meio... sem chance de remendo.
Querer gritar era inútil.
Querer fugir era sensato, mas logo me encontrariam no meu quarto.
"(...) prezo pela sua sinceridade. Lamento o seu feitio"
Foi a ultima coisa que ousei dizer.
E não ousei mais nada.
Logo estaria presa em minha casca grosseira e nem mesmo ele me tiraria de lá.
Eu queria conseguir ficar presa em mim mesma.
E sufocava pra reprimir a vontade de que ele me prendesse.
Que ele me roubasse.
Mas ele me indagou sobre o futuro e logo estava eu aqui, de novo, no chão.

(Silêncio]

Permita que o seu instinto se exerça.

Fuligem.

Eis que o dia surgiu.
Do meu quarto, eu via o sol invadir a rua.
Senti o calor em minha face transformando aquela palidez matinal num tímido tom rubro.
Deixei que o sol também me invadisse, mas me obriguei a pisar no chão e encarar o MEU dia.
Mais um dia de concreto e fumaça.

Em um dia diferente deste, ficara combinado que eu jamais me deixaria tão indefesa quanto aos meus pensamentos. E assim nasceu o pacto mais incerto que eu já fizera na vida.
Eu, eu mesma, sempre duvidei de mim -  ainda não fizemos nenhum progresso neste aspecto.
Mas estava feito.
Estava certo.

Filas e mais filas de carros congestionavam as vias de mão única.

Eu não esperava lutar contra mim mesma. Não naquele dia. Não depois de ter certeza da minha vontade de não ir a esse campo de batalha.
Não tive escolha.

O sinal fechou.

Meus olhos sempre foram os responsáveis pela minha culpa.
Dessa vez, eles reagiram tardiamente.
Mas outros foram rápidos.
E não tive tempo...

Cá estou, no mesmo lugar, contra mim mesma.

Mais um dia de concreto e fumaça.

Verbalize.

Da gramática:
- Verbo QUERER.
Quem quer, quer algo.
O que quer? Como quer? = informações adicionais.
Transitivo direto.

De Bulhões:
-Verbo QUERER.
Quem quer, quer pontofinal
O que quer? Como quer? = problema do terceiro grau.
Verbo indeciso.

Ai...ai...

Hoje, dois olhinhos se perderam. Perderam-se do habitual e oscilaram.
Eles percorreram meu corpo, despretensiosamente, assim concluí.
Lamento, apenas, aqueles olhinhos não terem encontrado os meus.
Um dia desses, roubo eles pra mim.
E ai de quem hoje os tem.

"Abre teu coração...

... Ou eu arrombo janela." - De Holanda.

Demonstração pública de afeto.

"Que saudade de você, mon amoour!
Eu lembro de você toujours.
Oui, oui, dói aussi.
És em mim, pequeno souvenir."

(20/03/10)

Imperativo.

Olhe pra mim e perceba o quanto eu quero provar que um e um somos nós. Olhe novamente e sinta meu desejo de quebrar o teorema e transformar a igualdade em singular.

Se meus passos continuarem lentos demais, perdoe. Eu insisto em permanecer em teu caminho apenas por me recusar a sair dele. E recusarei tanto quanto me recusas.
Enjoe de palavras melosas assim como eu já enjoei das minhas.
Da conspiração láctea, exija  precisão. Os astros erraram, mais uma vez, o seu destino e eu tenho andado distraidamente cansada. Seja como for, peça pra ser.
Olhe pra mim.
Uma vez, duas, três...
Olhe pra mim.
Vire os olhos e revire-os.
Olhe pra mim.
Eu sei, olhe bem, um e um será sempre um.
Pra cada lado.

Passatempo.

Estamos jogando "sufoque".
Quem sufocar com algo que quer dizer - mas não diz-, PRIMEIRO, vence!
Atenção: o felizardo ganhador tem sua garganta cortada para a verificação dos jurados (todo procedimento está dentro do regulamento e é garantido pelo SQS, sistema de qualidade sufoque, além de não causar nenhum dano ao sortudo, haja vista que ele está morto).
A cerimônia de premiação acontece segundos após a confirmação do júri.
Todos os perdedores estão automaticamente convidados.
A próxima rodada começará em dois minutos. Há resistência dos participantes quanto ao item "cortar a garganta" e tal...

Heim?

Pés desclaços, sol a pino, agonia asfalto é.
Se sentido és perdido essa frase lhe fizer.